Tudo começou muito rápido. As imagens e logo em seguida, helicópteros. Dava pra perceber que o problema era mais sério do que parecia. Que a mídia tinha abafado o caso. Dava pra ver pela janela os helicópteros pousando e, de longe, caminhões vindo. Soldados desciam dos helicópteros, todos armados com armas negras e ameaçadoras, provavelmente semi-automáticas. Um dos soldados pegou um alto falante e começou a gritar para os moradores do meu prédio:
-Atenção! Uma infecção nova foi registrada como perigosa. Há um foco localizado nesse bairro. Mantenham a calma! Vocês não estão autorizados a sair desse bairro e a equipe está aqui para realizar testes para descobrir os portadores do vírus, que serão imediatamente levados ao atendimento! Aqueles que estão saudáveis serão escoltados para fora daqui e poderão visitar seus parentes infectados mais tarde. Iremos fazer a chamada após cada verificação, andar por andar de cada prédio.-Percebemos que, na frente do vizinho, outro soldado dizia mais ou menos as mesmas palavras- Não queremos contato com aqueles que têm suspeita do vírus! Sair antes de seu número de chamada pode ser perigoso! Eu repito: Sair antes de sua convocação pode ser perigoso! Permaneçam onde estão e cooperem que tudo ocorrerá bem! Caso algum andar não coopere, nós temos ordens de invadir o andar e levá-los à força!
Eu sabia que havia algo de errado, mas não conseguia perceber o que. Ivan sentou-se e tentou se acalmar. Pedro começou a ficar impaciente: Ele não gostava de ficar esperando até que outros o dissessem o que fazer. Eu via ele se levantar e dar uma volta na casa, mexer nos armários, enquanto eu tentava, em vão, descobrir o que me deixara desconfiado dos militares. Ivan estava claramente tentando se controlar, mas suando muito e nervoso á beça. A Vany parecia em estado de choque, quando, de repente, ela arregalou os olhos e disse:
-A minha vó. Temos que subir para buscá-la. Ela deve estar desesperada!
Não precisamos falar mais nada. Como que num único instinto humano, fomos os quatro para a porta. Todos sentiram que deveriam subir juntos. Então, um pensamento me atingiu. Rapidamente, parei, antes mesmo de abrir a porta. Eu virei para eles e, olhando para o chão, eu disse:
-Não podemos ir.
A Vany começou a gritar:
-Hugo, isso não é hora pra brincar.-Ela tentou pegar a chave da minha mão, mas eu segurei a chave firme- Me dá essa droga logo, abre essa porta!
Ainda evitando olhar nos olhos deles, eu disse:
-Não.
Pedro suspirou.
-Como não?-Perguntou ele.
Eu olhei para os olhos dele, firme.
-E se o que a vó da Vany tiver for exatamente o vírus que os militares tão procurando?
A Vany me deu um tapa, ficando vermelha rapidamente. Uma lágrima caiu quando ela me acertou. Só uma. Ela murmurou, parecendo muito mais ameaçadora agora, falando baixo, do que antes, gritando:
-Hugo Mendes de Oliveira. Não se atreva a ficar no caminho entre eu e minha família.- Ela fez uma pausa e continuou- Não se atreva a insinuar que minha avó está em perigo. Me dá essa chave. - Eu hesitei- Me dá essa chave!- Eu entreguei a chave para ela. Claro, a avó dela poderia ter só uma gripe normal, mas seria muita coincidência, não seria? Ela me empurrou para fora do caminho e abriu a porta. Eu estava muito confuso para me preocupar se eu tinha sido insensível. Extremamente insensível. Agora que escrevo isso eu percebo como eu fui idiota. Nem percebi Pedro e Ivan passando por mim. Quando me dei conta, Ivan estava me chamando, do outro lado do corredor. Lentamente, eu fui atrás deles. Dava para ouvir os passos da Vany correndo para subir os cinco lances de escadas que a separavam de sua casa. Ivan esperou por mim e subimos juntos. Ele murmurou, desconfortável:
-Você acha que pode ser o mesmo vírus?
Eu pensei. A resposta era óbvia. Eu só tinha sido um idiota de colocar as coisas daquela maneira, tão súbita, tão insensível. Mas os fatos eram os fatos. Havia uma grande chance, sim, da avó da Vany estar contaminada. Todos nós estávamos demorando pra absorver o impacto de tudo. Foi só depois que entramos no apartamento da Vany que caiu a ficha. Que a verdade nos atingiu e sentimos, efetivamente, o quão grande era a merda que tínhamos nos metido. Foi lá que nós vimos nosso primeiro zumbi.
sábado, 12 de dezembro de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Muito bom, mas muito bom mesmo. Só quero ver o que vai acontecer com a avó da Vany.
ResponderExcluirq meeeedooooo KKKKKKKK
ResponderExcluirEu ainda não li os capítulos seguintes, então eu posso dizer com veemência: a vovó tá infectada!
ResponderExcluir